NATASHA SLHESSARENKO

Para combater o sarampo, a vacina é fundamental

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Mato Grosso infelizmente registrou seu primeiro caso de sarampo, na cidade de Tangará da Serra. Uma criança de cinco anos teve o diagnóstico confirmado pela Secretaria de Saúde do município no dia 11 de maio.

O sarampo é uma doença viral, transmitida por gotículas de saliva, altamente contagiosa e que pode levar à morte, especialmente em crianças menores de 5 anos, imunodeprimidos e desnutridos.

Para se ter uma ideia da contagiosidade do sarampo, um indivíduo infectado pode transmitir o vírus para até 18 pessoas, enquanto que a COVID-19, quando a pandemia iniciou, uma pessoa infectada transmitia para 2 a 3 outras pessoas.

O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde aponta que desde 2018 foram registrados no Brasil mais de 40 mil casos de sarampo e 40 mortes foram causadas pela doença, sendo mais da metade em crianças menores de 5 anos.

Até março deste ano, o Ministério confirmou 14 infecções pelo vírus, sendo dois casos em São Paulo e 12 no Amapá.

Até então os casos registrados no país não eram autóctones, ou seja, eram importados, tinham origem fora do Brasil.

Agora essa realidade já mudou, as pessoas contraíram o vírus no próprio território brasileiro, ou seja, o vírus está circulando entre nós.

Os sintomas clássicos do sarampo são febre acompanhada de manchinhas vermelhas no corpo (exantema), além de tosse, irritação nos olhos (conjuntivite), nariz escorrendo ou entupido.

O exantema surge por volta do 4º dia de evolução da doença, iniciando atrás da orelha e, em aproximadamente 3 dias, atinge todo o corpo, concomitantemente há intenso mal-estar.

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A persistência da febre além de 3 dias e agravamento dos sintomas sinalizam complicações da doença, principalmente em crianças com menos de 2 anos. Importante ressaltar que não são só crianças que desenvolvem o sarampo.

O avanço dos casos no Brasil ocorreu em um intervalo de dois anos. Basta observarmos que em 2016 chegamos a receber uma certificação de país livre do sarampo pela Organização Panamericana de Saúde (Opas), o braço da Organização Mundial de Saúde (OMS) para as Américas.

O Brasil permaneceu com esse status em 2017. Já em 2018 começou-se a registrar as infecções pelo vírus do sarampo. Somente naquele ano foram 10 mil casos. Esse revés ocorreu em virtude da baixa cobertura vacinal.

A única forma de evitar a doença é através da vacina.

Entretanto, em lactentes cujas mães já tiveram a doença ou tomaram a vacina, anticorpos temporários passam da mãe através da placenta e pelo leite materno, protegendo estas crianças ao longo do primeiro ano de vida.

Esta é a razão da vacina ser dada aos 12 meses. Em situações de aumento dos casos, a vacina pode ser feita aos 6 meses.

Muito antes da pandemia, já existia um movimento antivacina no mundo, que ganhou força após publicação de um estudo falso assinado pelo médico inglês Andrew Wakefield e publicado pela revista científica The Lancet, em 1998, que ligava a vacina tríplice viral (combate sarampo, caxumba e rubéola), ao surgimento do transtorno do espectro autista.

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Estudos realizados posteriormente, o maior deles na Dinamarca, comprovaram que a afirmação não passava de uma falácia.

Estudos subsequentes apresentaram evidências contundentes de fraude, manipulação dos dados e conduta antiética. O médico Andrew Wakefield teve sua licença médica cassada e a revista anulou o artigo, mas o efeito devastador sobre a saúde pública já tinha acontecido.

Não há qualquer relação do imunizante com o transtorno.

A pandemia de COVID-19 contribuiu muito para a queda das coberturas vacinais. O medo de contrair o vírus, que já matou mais de 665 mil pessoas no país, fez com que as famílias deixassem de se deslocar até o posto de saúde mais próximo para vacinar as crianças.

A vacina contra o sarampo é aplicada quando a criança está com 12 meses. Atualmente não temos uma vacina exclusiva para sarampo, ela é a tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba.

Aos 15 meses se faz a 2ª dose com a vacina tetraviral, que além das doenças protegidas pela tríplice viral, protege também contra a varicela (catapora).

Neste momento, o Ministério da Saúde está fazendo campanha de vacinação contra o sarampo e a gripe. Crianças menores de 5 anos devem ser imunizadas. Vacine o seu filho (a).

É só com uma ampla cobertura vacinal que vamos conseguir derrotar, de uma vez por todas, o sarampo. Nunca é demais lembrar, a vacina salva vidas.

Natasha Slhessarenko é médica pediatra e patologista clínica e está pré-candidata ao Senado pelo PSB.

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Já parou para pensar no significado da palavra cooperativismo? Em alguns dicionários podemos encontrar a definição da palavra como um sistema econômico que faz das cooperativas a base de todas as atividades de produção e distribuição de riquezas.

E é nessa essência de que todos ganham que quero falar neste dia 2 de julho, data na qual se comemora o Dia do Cooperativismo. 

Estamos em um período de pós-pandemia, momento em que as pessoas perceberam o quanto a coletividade é necessária para o bem-estar de todos.

E no cooperativismo de crédito não é diferente. Ele tem a capacidade de gerar transformações positivas, principalmente nesta fase de retomada da economia.

Muito se fala da necessidade de gerar renda e uma das premissas é justamente o emprego. 

Segundo levantamento do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), entre março de 2020 e fevereiro de 2021, o setor gerou mais de 3 mil novos postos de trabalho.

E isso, enquanto bancos convencionais fecharam agências e diminuíram a oferta de vagas.

Mas a tendência para 2022 é aumentar não apenas essas oportunidades de trabalho, mas também o número de cooperados e a popularidade do modelo. 

E por que isso? Porque é uma das bases da economia brasileira e que tende a seguir em ascensão, agora, mais do que nunca.  As cooperativas de crédito prezam pelo atendimento personalizado e ainda trabalham para garantir que o recurso seja aplicado na comunidade.

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Seja com a distribuição dos lucros entre os associados, com ações sociais, patrocínios a eventos e atletas, qualificação profissional e ainda, claro, gerando ocupações de forma direta ou indireta. 

Atualmente, o Sicredi conta com 5,5 milhões de associados, oferecendo soluções financeiras para agregar renda e contribuir para a melhoria da qualidade de vida da sociedade.

Entre os cooperados vinculados ao Sicredi Integração MT/AP/PA são 75 mil pessoas, que estão presentes em 33 municípios nos estados de Mato Grosso, Pará e Amapá. E é com essa perspectiva que crescemos em ritmo acelerado. 

Em 2021, nacionalmente a instituição registrou crescimento de 36,9% na carteira de crédito, totalizando R$ 133,1 bilhões. Deste total, cerca de 35% foi para associados do setor rural, 34% para pessoas jurídicas e 31% para pessoas físicas.

Números esses que fazem com que essa riqueza circule, movimentando a economia local, gerando emprego e aumentando a capacidade de compra dos cidadãos. Ou seja: o dinheiro não sai da comunidade. 

Ele é injetado de volta na região, auxiliando no desenvolvimento interno. Direta ou indiretamente, toda a população é beneficiada. Assim, o papel social do cooperativismo de crédito se torna ainda mais forte.

Só que não é só isso. Os números do Sicredi crescem em sintonia com os atos de impacto social e compromisso com o desenvolvimento sustentável. 

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A instituição tem preocupação com a questão ambiental e investe para estimular a economia verde, além de ter neutralizado 100% das suas emissões de gases de efeito estufa por meio do apoio a cinco projetos alinhados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).

E o Dia Internacional das Cooperativas, o CoopsDay, comemorado anualmente no primeiro sábado de julho, tem justamente o objetivo de divulgar essas ações e fortalecer as parcerias deste movimento para garantir seu crescimento.

A data foi proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas na sua resolução 47/90, de 16 de dezembro de 1992.

No entanto, ela foi comemorada pela primeira vez em 1995, uma vez que tinha o intuito de assinalar o centenário da criação da Aliança Cooperativa Internacional.

E em 2022, o tema escolhido foi “Cooperativas constroem um mundo melhor”, que tem como objetivo mostrar, mais uma vez, a contribuição única das cooperativas para tornar esse objetivo realidade, com um marco especial porque a data mais importante para o sistema cooperativista completa 100 anos.

Então, é com muita alegria e confiança de dias melhores que convido a todos a fazer parte deste mundo de cooperação, para que possamos crescer juntos e construir um mundo melhor!

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